Gigi e Myra
conversa entre irmãos

domenica 31 gennaio 2010

A Porta - escrito em 2008 por Iosif - foto Dominique Landau



não há quem não pare em frente a uma porta
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você entra como um ator no palco
dar aquele passo e de improviso assumir papel
numa comedia numa tragédia ou numa farsa
já passei pelo umbrais de muitas portas
reais ou imaginárias
cada decisão é um ingresso sem retorno
pisou num recinto desconhecido
esta sujeito ao mergulho num poço sem saída.
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entrar num consultório de medicote
custa os olhos da cara
adoece só de raivas
se tá fodido entra vivo e sai morto
as portas imaginárias são as piores
é empurrado pelo invisível
pelo destino por ti escolhido há muito tempo
não tem fuga nem conversa
está escrito está ferrado
não escapa
a historia não fala dos covardes
vivo a mitologia incorporo um herói de Homero
vivo minha própria Odisséia
escapei da Tróia nazista
jurei nunca mais fugir de nada
“seja corajoso e a vida virá ao seu encontro”foi o que Goethe uma vez dissera
e assim numa noite de lua cheia
fui arrancado da mesa de jantar
pra apaziguar uma ânimosa beira de um ataque de nervos sangrento
operários de um lado
milícia armada embalada do outro
morto estendido na lama dezenas de feridos
me meti no meio braços estendidos
ao Leste e ao Oeste
um Hercules micha um Aquiles vulnerável
cuspi palavras valentes
assumi pose de templário
"Pauperes commilitones Christi Templique Solomonici"
blefei com um par de sete na mão
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verfiquei com todas as fichas
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o jogo melou
os Ciclopes se afastaram
embarquei de volta pra Eólia
sem abraços sem louros sem nenhum obrigado
porra! o herói cômico devia ter ficadona mesa de jantar comer sua jaca
Baphomet vá catar outro otário!

sabato 30 gennaio 2010

Circe te escreve:


“O Zé está muito vivo em mim. Sinto-o presente.Da úlima vez que nos vimos, numa mesa de Bar, aqui no Leme, na Fiorentina, ele tinha um copo de chopp numa mão e um cigarro na outra. A despeito da idade, sua voz nunca perdeu a força e esta emanava dele todo. Seu irmão foi uma pessoa muito especial. Fazia-me lembrar do meu irmão mais querido que já se foi há anos, deixando-me numa grande orfandade. Eram pessoas muito diferentes e, ao mesmo tempo semelhantes, na inteligência, na cultura, na delicadeza de sentimentos em meio a gestos e atos rudes; mas principalmente, na capacidade de amar seu semelhante sem restrições – ou dar-lhe um murro na cara se fosse preciso"

venerdì 29 gennaio 2010

foto Dominique Landau


TIO GIGI


Eeeh Tio Gigi, aquí fala uma parte da tua familia.
Eu sou Dominique que ha construido junto com o Jan (a ex máquina infernal) o teu ramo europeo-judeo-chinês.
A gente sabe muito bem o destino desta tua viagem: o nosso coração. E do nosso coração não tem escape! Vôce tem feito tudo para fazer os vínculos indestructiveis.
Conosco vôce da toda a vida. Lembranças da infancia: vôce mi carregando nos tuos braços fortes, as tuas palavrinhas de carinho, as cosquinhas que eu te pedía – e vôce imitándome: "Faz cosquinhas, Tio Giiiiiiiiiiiiigi".
Para mim vôce e Tia Lia são o Brasil, o país que tive que deixar sendo criança ainda, mas que sempre tem estado nas minhas entranhas. Voltar pro Brasil era voltar a vôces, meu farol! Essa mesma luz vôces são também para os nossos filhos. Tamara se lembra como o dia de ontem a tarde chuvosa onde vôce e ela virão juntos o film na tv Priscilla, queen of the desert... Con Marco e Mauro, que te adoram de verdade, vôce teve conversas picarescas-provocadoras, e mas tarde muito profundas também.
Sei que era dificil para vôce abrir o teu coração tímido, mas sei também que, quando tu o fazias, o sentimento era muito profundo.
Tio Gigi, nos estaremos muito perto da Tia Lia, a tua companhera de toda a vida, e a través dela muito perto de vôce.
Meu Tio Gigi, vôce é e será sempre o meu único e querido bicho papão!

Fala Mauro:
Tio Gigi, não vou jamais esquecer de vôce. Lembro quando Marco e eu fomos passar as férias lá com vôces, ainda crianças. Lembro a sua voz profunda e simpática. A gente olhaba filmes, escutava música jazz e conversava muito. Vôce sabe tanto! Eu aprendí muito de ti. O teu talento de poeta, a tua sensibilidade e olhar para o mundo, teve um impacto enorme na minha vida. Jamais vou esquecer esse ano que eu passei no Rio, ha 3 anos atrás. Visitaba a sua casa quasi todos os dias. Eu ia comer à sua casa. A gente conversaba muito. E quando eu fiz meu barmitzva vôce veio para a sinagoga. Isso não vou jamais esquecer. Foi tão importante para mim que vôce estivesse lá esse dia. Vôce para mim foi, e, e sempre será a minha ligação com o passado. Eu sempre falarei de vôce para minha familia e sempre lembrarei o grande homem que vôce foi.
Agora vôce está em viagem para se reencontrar com vovô Li, e vovó Lena, e todos os outros amigos que ja foram para o outro lado. Desejo que sua viagem seja acompanhada de amor, paz e tranquilidade.
De aquí em Jerusalem, a cidade santa, rezo por ti, para tua elevação espiritual aos mundos superiores. Com certeza depois de uma vida tão bem sucedida vôce deve estar bem recibido la encima. Vôce teve um impacto enorme na nossas vidas. Que a sua lembrança fique conosco todos os dias da nossa vida e que a gente possa dizer que a partir de hoje fomos melhores pessôas graças a voce. Aprendimos a da tua sensibilidade, da tua honestidade, da tua verdadeira preocupação pelo mundo e os outros. Obrigado Tio Gigi por todo, eu não vou esquecer de vôce, jamais, vôce vai ficar no meu coração para sempre, até a gente se reencontrar onde for que seja.
Shalom
Mauro Landau, Jerusalem

mercoledì 27 gennaio 2010

tres amigas de Iosif que eu tambem conheço...

Fernanda Cabral, cearense convicta, patriota nordestina, conheci-a na Internet, "panfletando" e brigando contra o preconceito à brava gente do nordeste brasileiro. Abracei sua causa sem hesitar. Essa região que bem conheço, para mim é o berço da brasilidade em arte popular ou erudita, escrita ou cantada, esculpida ou pintada. Ficamos amigos internautas, tive o privilégio de conhecer a grande dama pessoalmente em Fortaleza, soberba anfitriã, mãe de belos filhos, e com orgulho lhe dei os parabéns supermerecidos quando ela abdicou em parte da escravidão caseira, ao se formar advogada junto com a filha e, não se surpreendam, também com a sua mãe. Que magnífico exemplo de mulher brasileira. Fernanda, sinto por você imenso carinho e infinita admiração, eternamente.

Circe Vidigal, Phd em um monte de assuntos, socióloga e professora, anda pelas estradas e céus dessa terra brasileira, leva conhecimento aos mais escondidos recantos, não é mais jovem nem tem mais saúde de menina, mas tem uma coragem infinita, é polêmica, briguenta (no melhor dos sentidos), é voluntariosa, teimosa, mas tem a doçura de mãe e avó. Meu carinho por ela é de irmão, pai e filho, mora no Rio, no mais belo recanto de Copacabana, o Leme, é a única a quem deixo me chamar de "Zé". Circe, minha fofa de olhos verdes, te amo de verdade, amiga.

Silvana Guimarães, que ser humano superlativo, doce como um querubim, minha Gioconda misteriosa, poeta de primeira linha, tem no sangue a herança de gigantes da literatura, milita com delicadeza e inteligência em suplementos literários, é conselheira abnegada de "pretensos" poetas, eu um deles, a quem ela ensina com firmeza como ser melhor na escrita. Honra-me por ser a primeira leitora dessa "Memória Tumultuada", escrita num afã incontido. Sem coragem de rever e reler, mandei-a para ela, será a autora do prefácio, um privilégio inesperado. Esta mineira de Belo Horizonte tornou-se minha amiga e conselheira, não passo um dia sem falar com ela, por correio eletrônico ou telefone e para firmar nossa bela relação, deixo que ela me chame pelo meu apelido que apenas meus familiares conhecem. Silvana, viver até agora e conhecer você, tornou mais rica a minha existência, muito obrigado.


P.S. eu ( myra ) sei que faltam outras muitas amigas e tambem amigos, peço desculpas por nao
os /as mencionar- nao consigo seguir lendo ....
é demais minha emoçao ...

martedì 26 gennaio 2010

teco teco- outro trecho de Memoria Tumultuada


Os desastres, na sua grande maioria, acontecem à noite, no transporte de operários, carga perigosa, muda o centro de gravidade com constância, motorista afoito e curva mal transada, o caminhão tomba, mais vítimas fatais. E eu a lamentar e xingar-me, sentia-me culpado, como se fosse eu quem guiasse o veículo. O trator é máquina fatal, o tratorista não tem visão traseira, o trabalho dele é de vai e volta, é obrigado a trabalhar com um ajudante para afastar os incautos, gritar "cuidado!", à noite, uma lanterna sempre acesa, às vezes eles mesmos vitimados, o que fazer contra a fatalidade? Capacete na cabeça é obrigatório, alguns desobedecem, tudo na obra é perigoso, qualquer pancada e acontece o imprevisto, não dava para entender a razão pela qual não cuidavam da própria segurança. No início de todo empreendimento tudo é precário, não há ambulatório, pronto-socorro, que Deus ajude. Dois feridos graves na capotagem de uma caminhonete, pedido de socorro pelo rádio, urgência de avião para remoção, espera perto da pista de pouso, tempo fechado, nenhuma possibilidade. Morreram aos poucos, eu segurando a mão de cada um, não me esqueço. Chovia muito, dias a fio, o Rio Iguaçu subindo caudaloso, previa-se que a ponte poderia ruir se assim continuasse, a todo instante eu era informado, muitas providências a serem tomadas, a chuva continuou, confirmou o previsto, vi a ponte ruir, o peso da água mais a barragem de destroços encostadas no tabuleiro, um estrondo ensurdecedor, apenas os pilares permaneceram espetados. Lengalenga burocrática -- a quem cabia a reconstrução, ao DER-PA ou à Eletrosul -- nunca resolvida, a comunicação entre as margens era importante para o transporte de carga e gente, muitos operários, morando do outro lado. A solução aprovada pela Capitania dos Portos foi uma balsa, caminhões e pessoas ao mesmo tempo, de noite, sempre à noite. A balsa adernou por excesso de carga, poucos foram resgatados. Trinta desaparecidos, durante dias seguidos capacetes boiando, corpos inchados às margens, não tive culpa, o controle da ida e vinda pelo rio não era de minha incumbência, mas os mortos eram meus homens, meus companheiros de trabalho, nunca me refiz da tragédia. O Brasil cresce grande, agiganta-se, obras importantes, todos os anos, meses e dias, morrem operários, ninguém dá importância. Eu nunca os esqueço!
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Estou ao volante de uma caminhonete, viajando por uma estrada poeirenta no interior do Sergipe, a caminho de um vilarejo, Carira, estou enjoado, encosto junto a um barranco, desço, vomito...
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Acalmo-me. Manobro e tomo o caminho de volta ao acampamento em Estância. Sobrevivi. No vilarejo Poço Verde.
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Estou no teco-teco, no interior de São Paulo, perto de Marimbondo, o pôr-do-sol se aproxima, é um vôo visual, sem instrumentos, a tempestade de vento levanta poeira vermelha, a torre de Marimbondo avisa: ventos de mais de cem quilômetros horários atravessando a pista, impossível aterrissar, a alternativa é São José do Rio Preto, visibilidade nula, apenas um pedaço do céu visível, embaixo a estrada para Goiânia, o piloto sugere pouso forçado, pego a carteira no bolso, abro, retiro a foto dela e deles, sei que não os verei mais... No horizonte, próximo à torre de uma igreja, mando sobrevoar a cidadezinha, há um campo de futebol embaixo, mando pousar ali, estamos salvos, nunca mais esqueci o nome do lugar, Olímpia, os deuses sempre presentes. Canteiro de obra, 1977, uma bagunça, sou o novo supervisor da empresa, meu primeiro dia, dou ordens imediatas, enérgicas, o engenheiro recém-formado olha-me assustado, quando expulso o fiscal debochado da sala, em poucas horas, tudo organizado, o jovem me diz "agora sei o que significa ser engenheiro!". Desembarco em Bauru, sou levado para o museu da CESP (Companhia Energética de São Paulo), vinte e cinco anos de comemoração da inauguração de obra importante e pioneira, da qual participei ativamente.
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faço discurso de improviso, sou aplaudido, abraçado, recompensa tardia, 1993.
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Uma pergunta não cessa de me perturbar, de me perseguir: o que acontece, que só os corruptos, os safados, os pilantras e os mal-intencionados encontram o caminho do poder, do comando da nação? Será que em algum momento da sua existência, eles foram como os universitários que conheci? Se foram, por que razão mudaram? Filosofar não adianta, nem estou capacitado para tanto, só me resta concluir que o ser humano nasce com o vírus, com a semente da ruindade, do desvio de conduta.
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Chega de saudade, chega de conversa!

lunedì 25 gennaio 2010

mais um pedaço de Memoria Tumultuada


Arriscar a vida,
a integridade física:
o motivo é justo?
É sua obrigação?
As respostas são imprecisas, dúbias..


Na construção da
Hidrolétrica de Salto Ozório ......................................................................................

... Cinco mil operários trabalhavam em dois turnos, tudo perfeito, tudo sob controle, tudo no prazo, nenhum problema...Regularmente vinha um diretor da sede para inspecionar. Naquele dia houve um incidente durante a tarde, um operário fora morto pela milícia particular contratada pela dona da obra, a Eletrosul.
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Ilusão, operário é rude, solidário, haveria tumulto e, consciente disso, eu me entendera com o comando da milícia, para que seus subordinados se mantivessem calmos . O acordo fora aceito.
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Saí com o encarregado dirigi-me à praça de guerra. O ronco do motor irritava meus ouvidos, o veículo balançava com violência, minhas costas doíam, o pessoal da oficina nunca obedecia, ponham menos pressão nos pneus, eu recomendava, nada feito, em obra o que mais eu ouvia era sim senhor, ainda não descobrira se era burrice, teimosia ou indisciplina, mas isso agora pouco importava, sim senhor, sim senhor, era o que queria ouvir daqui a instantes, Deus faça-os obedecerem, rezava. Sim senhor, sim senhor, era o que eu balbuciava. ...
A zoeira das perfuratrizes trouxe-me à realidade,entrei no fusca, acionei o motor, as gralhas pousadas na cerca levantaram vôo e sumiram no meio dos pinheiros. O céu azul, desprovido de cortina poluidora, machucou-me a vista, o ar puro penetrou nos pulmões, tossi, acendi um cigarro, o estômago doeu, peguei o rumo da cantina, uma data projetou-se em minha mente. 12 de abril, o rio estaria na sua cota mais baixa, a segunda fase do desvio a ser executada, eu, o poder absoluto, faria acontecer, eu, o poder máximo, comandava cinco mil operários......
Minhas mãos crisparam-se no volante, a respiração ofegante fez-me jogar o cigarro pela janela, naquele preciso instante a sensação de felicidade envolveu-me com irresistível doçura...
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...Ao longe a visão noturna assustadora, dezenas de luzes piscando em meio à bruma do vale. Poeira? Não dava para distinguir, o martelar das perfuratrizes penetrava nos ouvidos, o ronco entrecortado dos scrapers e tratores completava a harmonia, com certeza, foi nesses sons que Schomberg se inspirou ao compor suas dissonantes sinfonias, ou talvez Thelonious usou-os nas suas peças jazzísticas, comecei a rir, diletante das artes, o pessoal zombava, não me incomodava, até gostava, a todo o momento eu citava escritores, compositores, diretores de cinema, era o modo que dispunha para espantar a reclusão. -- Que foi, doutor? Como explicar que deixara para trás centenas de CDs, estantes cheias de livros, dezenas de vídeos e viera isolar-me neste fim de mundo? Não saberia como....
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Meu pai impôs-me a sua autoridade. O dilema na minha alma de engenheiro errante e de meus reais anseios ainda perdura, pergunto-me se não cometi uma tolice ao lhe obedecer, a hipocondria que atola meu ser é insuportável, sinto-me acabado, meu sistema nervoso não foi feito para essa quantidade de afecções deprimentes, pouco estéticas, perco-me em mim mesmo... ........................................................................................................................................................................
... --Doutor, como vai acabar essa bagunça? Senti a boca seca, depois de dezenas de cigarros perdera o paladar......
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a estrutura da barragem despontava ameaçadora de dentro da rocha escavada, o ritmo incansável da concretagem, o som metálico dos vibradores, o vaivém dos scrapers na jazida, os tratores empurrando blocos de pedra, tudo pulsava ao redor, do fundo do canal de fuga sentia-me todo poderoso, tinha certeza, 12 de abril, 12 de abril......
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Doutor! - os meganha fuzilaram um dos nossos no acampamento. Eu tremia dentro da japona, o frio, o medo e a incerteza deixaram-me febril, minha existência, eterno desafio, não desafiou o seu pai e agora você quer se redimir, repetia sem cessar uma voz interior, infantilidade, você é maluco, quer atos heróicos, um possuído pela síndrome da auto-afirmação.......
Doutor, estamos quase chegando. As luzes do acampamento surgiram à frente, estremeci, o gulag está próximo, homens sem futuro e com passado duvidoso ali residiam, amontoados em quartos com beliches, sem lazer, sem mulher, homens que pegavam no pesado, e recebiam salário mínimo como recompensa, no entanto, eram o coração da obra, eu os entendia, mas nada fizera para mudar o statu quo, seguia as regras, eu também lutava pela sobrevivência.......
Doutor, olha o fogo, tocaram fogo..... O tenente da milícia recebeu-me cortês, senta doutor, permaneci de pé, o relato verbal foi sucinto, o elemento não obedeceu à ordem de parar, avançou ameaçadoramente em direção ao praça, este não teve alternativa e atirou, infelizmente, ocasionou a morte do elemento, mas, tenente, um embriagado? Seria fácil subjugá-lo, doutor, temos que impor a ordem.. .Consegui a promessa da milícia de permanecer no quartel nas próximas vinte e quatro horas, o confronto tinha que ser evitado. A caminhonete atravessou o portão, parou no pátio, saltei. Sete Léguas, o baixinho, espécie de mascote, puxou-me pela manga, doutor, socorro, vi o sangue escorrer pela sua face, olhei ao redor, rostos amedrontados fitavam-me, doutor, eles bateram em nós, nós dormindo, nós que tavam no chuveiro, na casinha, em todos, todos... Vidros estilhaçados, portas arrombadas, um vaso de louça partido, a luz morna , levem os feridos para o hospital e apaguem o fogo, ordenei, não ouvi o sim senhor, aproximei-me do destacamento, mosquetes em posição de tiro, o tenente à frente de arma em punho......Fizeram arruaça, doutor, rece...
Quis voltar ao passado, mas qual dele? ... Voltar é sempre ruim, o caminho através da porta da mente é doloroso, teria que viver mais vinte, trinta anos, para que eu pudesse saber quem eu era, porque me encontrava aqui nesse preciso momento, o mundo que cresci era melhor do que esse em que vivo hoje........
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...bemos ordem , tivemos que controlar a situação...
Senti medo, vi os operários aglomerados ao redor, não haviam rostos amedrontados, apenas curiosos, alguns sorriam, o verdadeiro inimigo era eu, candangos e milicianos eram a classe inferior, os oprimidos.
Eu representava o patrão, era o responsável pelas suas vidas miseráveis, alçapão do destino, ...... acendi um cigarro, queria ganhar tempo..........
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...... já me disseram inúmeras vezes "cara, vê se te manca, tua cara agride...". Eu tentara debater o incidente da tarde, desconversaram, isso acontece, não esquenta, obra é assim, coisas da vida... Duas tragadas no cigarro, joguei-o no chão, pisei em cima com a bota.-- O combinado, tenente? Grossos bigodes desafiavam.... Viraram um carro.... Não me parece que agiu de modo inteligente, respondi .... --
Desculpe-me o palpite talvez meu pessoal tenha exagerado... Minha posição, eu sabia, enfraquecera, senti meu rosto tenso, a roda de homens aumentava, o olhar dos candangos era mais incômodo que a arma apontada. Eu, o perdedor, o bobo da corte, merecia estar nesse fim de mundo, isso é ser engenheiro? Não fui talhado para ser John Wayne, Gary Cooper, é meia-noite, não é meio-dia, droga, isso é hora para pensar em filme? Olhei por cima dos ombros do homem à minha frente, um pelotão de vinte meganhas, cassetete numa mão, mosquete na outra, rostos indecifráveis na sombra dos capacetes, não tinha dúvida, obedeceriam cegamente à qualquer ordem, serão analfabetos? Com certeza, de onde são? Irmãos de origem e da ignorância em confronto, eu, o intelectual, regredindo à primata, de que lhe serve todo esse saber? Vi-me estendido no chão, sombras em volta, cochichos, não quero padre, não... O som seco do engatilhar assustou-me....
Tenente, guarde sua arma. Ouvi tosses, ouvi risadas, o homem à minha frente parecia divertir-se, coloquei a mão sobre a arma apontada, por favor, tenente, o suor escorregou da nuca dentro da camisa, isso não é jogo de pôquer, seu idiota, pensei...., os ruídos longínquos da obra não são trombetas dos santos alados, desista, ninguém liga para essa baboseira, senti-me um tolo, apertei os dedos, a mão armada cedeu, virei o rosto, deu tempo ao tenente para guardar o revólver......
Tenente, manda seu pessoal baixar os mosquetes. O cerco dos homens cada vez mais próximo sufocava-me, o odor de suor e cachaça entrou pelas minhas narinas, senti ânsias de vômito..... Tenente, obrigado, agora dê ordem de meia volta, volver. Pés arrastaram-se sobre pedriscos, o odor de suor e cachaça mais próximo....
Tenente, o pessoal tá cercando. Sim senhor, sim senhor, voz solitária, depois mais outras, todos em coro, tive vontade de gritar "Parem! Parem! Não agridam!". Mas permaneci calado, imóvel, sabia que a exclamação coral não passava de deboche jocoso dirigido a mim, sorri, ainda vou levar a melhor. Olhei o relógio, duas da madrugada, faltavam cinco horas para a mudança de turno, escutei a ordem dada pelo tenente, vi a tropa retirar-se em silêncio pelo corredor humano aberto no meio dos operários, esperei o último meganha sumir na noite, coloquei um cigarro entre os lábios, apaguei a chama do isqueiro, chamei um dos encarregados: Junta o pessoal!
Sim senhor.....
Todos pra revezar o turno da noite!
Mas, doutor, se me permite... O movimento da minha mão calou-o. Todos! Sim senhor! Joguei o cigarro aceso no chão, apaguei-o com a bota, fora um aperto, mas tudo estava resolvido.
Voltei à casa de hóspedes.................................................. ........................................................................
Como foi? Ouvi, não respondi. ..... fui para a minha choupana.
Orgulho-me para sempre desta noite, foi em 1973.

domenica 24 gennaio 2010

hoje Domingo de frio e chuva aqui estou


meu querido, um Domingo um poco diferente dos outros muito solitarios! fui almoçar com Jan,Dominique e Marco, e foi gostoso, apesar de que eu tinha aquele horrivel problema dos vulcoes na barriga :))), e depois estivemos no apto deles vendo um film. Voltei para casa porque eu canso muito depressa... e vim te dizer algumas palavras, digamos de boa noite.Voce tem razao sabe? os velhos estamos sempre cansados e com frio! as 5 da tarde , principalmente no inverno, eu so quero cama...bem, e quem me impede?

Acabo de receber um e-mail da Silvana, tua grande amiga, que agora tambem é minha, e ela me disse que gosta deste lugarzinho nosso, aqui. Fico muito contente, espero que voce tambem.
Voce viu como recebemos comentarios?
amanha acho que vou colocar, a tua aventura com o aviao no interior do Brasil que voce tanto ama! é muito comprido o que escreveu, vou ter que cortar um pouco. mesmo se a minha vontade é por tudo, mas nao dà. Quando é muito comprido as pessoas nao lem.
Bom, agora, vou mesmo é para cama, te deixo com muitos beijos e o amor de sempre. Como ja te disse, acho, nao sei se voce esta com frio, mas eu sim sei que estou gelada!! o inverno è terrivel para mim, atè amanha.


Coloquei uma foto da Tamara qdo ela foi a Bucarest na nossa rua...espero que goste.