
o papa-defunto suspira,
buzinas roucas acordam até morto,
um louco dá cambalhota,
racha a cabeça que nem melancia madura,
um bêbado se coça, tem alergia a sabonete,
a mendiga dá o seio ao bebê de aluguel,
pregador com bíblia ao lado
ronca debaixo da marquise,
vira-lata mija em cima dele,
bendito seja,
camelôs xingam a mãe do César Maia,
o guarda municipal coça o saco com cassetete falo,
meu ouvido é do Shylock Mercador,
farejo como O Cão de Baskerville,
castigo a calçada com chinelo de dedo,
com unhas encravadas e joanete no metatarso,
não tô nem aí pro azar nem pro que vai dar,
Garota de Ipanema, te quero,
não nasci à toa pra beber de taça gretada,
bater com a cara na porta de sua casa,
teu pai é fera, pensa que tu é ainda donzela,
ele bateu as botas e não sabe que eu te amo,
se manda, cavalheiro, não preciso de conselho,
fecho-me em copas, retorno à minha dama de copas,
ela não foge do meu olhar,
sabe onde me encontrar,
satisfazer meu desejo,
aceitar meu beijo,
desculpe minha falação,
estou mais a fim de felação,
Garota de Ipanema, te quero,
me espera em noite de lua cheia,
sou lobisomem surfista,
manobra radical na tua onda é moleza,
deslizo suave no teu tubo de espuma cor-de-rosa.





