minha terra tem palmeiras,
onde canta o tiroteio,
na primeira porrada bati com os costados no chão
que nem um cão vadio fugido do lixão,
meti-me em encrencas com a mulher do vizinho de
porta,
porta,
flagrou-me em cima da macia dona do seu coração,
sem perder a majestade ela falou —
é meu filho
perdido,
perdido,
o cara riu amarelo,
pegou no berro
e eu no
berreiro,—
berreiro,—
tá bem, amizade, enganos acontecem,
falsete do destino,
afasta o cano que já me mando pra Indochina.
minha terra tem palmeiras, onde canta o tiroteio,
— preciso de emprego —
falei pro capataz com cara e jeito de capitão de navio negreiro,—
retornei do Vietnã deixei por lá meu irmão,—
Vietnã o caralho,
seu safado, num tamos em conflito naquelas paragens,—
tá certo, doutor, vim do Morro da Babilônia,
que tá mais quente que a guerra do Afeganistão,
necessito de batente pra comer meu pão,
levei porrada, bati com os costados no chão,
que nem cão vadio fugido do lixão.
minha terra tem palmeiras,
onde canta o tiroteio,
furei a pança do desalmado capitão,
pastei dez anos no cárcere de luxo em Água Santa,
saí de lá liso, sem destino,
sem nada no intestino,
peguei estrada que nem roqueiro desempregado,
vou bater com os costados em Saigon,
construir cabana no delta do Mecong,
aqui, mermão, a barra pesa, não tem perdão,
e como dizia meu tio Olavo,
me mando em torrentes de cólera e loucura
pelas horas vividas sem prazer,
pela tristeza do que eu tenho sido,
pelo esplendor do que eu deixei de ser.
É ...ele não dava moleza, agia rápido, muito perspicaz e espirituoso.
RispondiEliminaGostei da imagem das velas trêmulas...
Um beijo
É ótimo este poema do Iosif.
RispondiEliminaBeijos, Myra
sim, Fred,é um dos que mais gosto...obrigada
RispondiEliminae agradecemos tambem a Angela,sabe minha querida, nao dà messmo moleza:))))è, fantastico, mas qdo se zangava era tremendo:))) o meu querido Gigi,
que bom gostou das velas ...
Maravilhoso poema. Ri muito lendo pra meu marido, pois a criatividade é grande,aliada à inspitração real. beijos,chica
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